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Crise Ambiental: de 1972 ao cenário atual

  • jmasambiental
  • Jun 29, 2022
  • 3 min read

O ano era 1972, quando no período de 05 a 16 de junho se deu uma reunião com 113 países em Estocolmo na Suécia. O tema central? Meio Ambiente. A Conferência de Estocolmo foi o primeiro grande encontro internacional no intuito de debater problemáticas ambientais.


Imagem extraída do site: https://www.colegioweb.com.br

Evidentemente, a referida conferência é um marco na história ambiental, na qual foi apresentada o famoso Relatório do Clube de Roma, que como expresso em um dos meus textos anteriores, evidenciava que se o processo de consumo dos recursos continuasse da forma que se encontrava na época, em menos de 100 anos nossa sociedade entraria em colapso.


Mediante a apresentação direcionada aos presentes na conferência, houve forte resistência dos países em desenvolvimento quanto a aceitação dos fatos e da iminente necessidade de reverter o quadro exposto. Isto se deve ao fato de que uma regulação do consumo de recursos naquele período seria prejudicial ao desenvolvimento interno dos mesmos.


Qual o intuito de expor tal fato?


O bloco de países em desenvolvimento que se anunciaram contrários a regulamentações quanto ao controle do consumo de recursos e a geração de poluição, era encabeçado pelo Brasil, governado naquela data pelo General Emílio Garrastazu Médici.

Imagem extraída do site: www.pragmatismopolitico.com.br

A comitiva brasileira chegou a abrir uma faixa no evento como forma de protesto, com os seguintes dizeres: "Bem vindos à poluição, estamos abertos a ela. O Brasil é um país que não tem restrições, temos várias cidades que receberiam de braços abertos a sua poluição, porque nós queremos empregos, dólares para o nosso desenvolvimento". Na época o Brasil se encontrava em pleno milagre econômico, e a questão ambiental ainda engatinhava.


Mais de 30 anos depois mudamos de século, o mundo avançou, mas aparentemente o pensamento de muitos continua preso na década de 70. Mediante a crise tanto financeira quanto social pela qual nosso país passa atualmente, tem surgido uma crença errônea de que o meio ambiental é empecilho ao desenvolvimento econômico do país, e consequentemente a geração de empregos.


Imagem extraída do site: https://nandabahia.com

É sabido que o PIB brasileiro atualmente possui forte relação de dependência com as atividades do agronegócio. Sabemos também que estas atividades causam grandes impactos aos recursos ambientais, como degradação do solo e distúrbios no ciclo da água por meio da degradação das matas e da exportação da água virtual por exemplo. Levando como base estes dois pontos, surge o conceito de que resguardar recursos ambientais é prejudicial ao desenvolvimento econômico e consequentemente gera pobreza devido a falta e empregos.

Imagem extraída do site: https://www.gpabrasil.com.br

Entretanto, devemos ter a consciência de que essas atividades dependem fortemente dos recursos naturais, não é possível produzir lavouras e animais sem recursos como solo agricultável, alimento e água.

Imagem extraída do site: https://assementeiras.wordpress.com

Fora este ponto que já deveria ser mais do que suficiente para evidenciar a importância dos recursos naturais e consequentemente da proteção dos mesmos, existe outro ainda maior. A nossa biodiversidade, considerada a maior do mundo. Enquanto deixamos ela de lado, e/ou cogitamos até mesmo o usufruto inconsciente em pleno século XXI, ela é pesquisada, explorada e patenteada por pesquisadores de todo o mundo, os quais constroem riquezas por meio dos nossos recursos enquanto ficamos apenas com o ônus de ter que pagar por algo que teoricamente seria nosso.


O que afirmo aqui, não é a necessidade de um protecionismo exagerado, pois de fato nossa economia ainda se encontra sustentada por atividades que degradam o meio. Entretanto, o que nos impede de buscar soluções complementares de renda em outros segmentos?


Não poderíamos investir em pesquisa científica assim como os estrangeiros e gerar riqueza para nosso país por meio de patentes de novos produtos descobertos em nossos ecossistemas? Por que devemos seguir a linha de evolução que os países do hemisfério norte traçaram ao longo de sua história desenvolvimentista ao invés de delinearmos a nossa por conta própria? Fato é que somos povos diferentes, com histórias diferentes, com solo, vegetação e biomas inteiros com características diferentes, então por que devemos fazer mais do mesmo? Não creio que caminhar rumo ao buraco para só depois buscar uma saída seja uma opção muito boa. Sendo assim, frente a pontos como os poucos expostos anteriormente, deixo aqui escancarado o meu repúdio total aos retrocessos que estão sendo propostos por aí, como por exemplo a junção do Ministério do Meio Ambiente ao de Agricultura. Não pense que é possível colocar o meio ambiente em uma caixa e focar nos outros problemas, pois acreditem ou não, tudo que envolve nossas vidas passa pela questão ambiental. A esperança que fica é que alguma luz do além possa surgir e iluminar as mentes que tomarão as rédeas de nossa nação para que não nos atolemos em uma situação pior do que a que já estamos. Por enquanto é uma crise econômica e social. Nem queiram ver uma crise ambiental se juntando as duas anteriores, pois os resultados podem ser catastróficos. Encerro o texto citando Cazuza, pois de fato eu vejo o futuro repetir o passado, e espero que vocês também possam ver isso.




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