Lixo: Uma mudança de paradigma
- jmasambiental
- Jun 29, 2022
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No tema desta semana falaremos um pouco sobre Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), popularmente conhecidos como ''Lixo'' pela maioria das pessoas. Trataremos um pouco do contexto histórico e citaremos algumas de nossas obrigações como cidadãos para com a gestão dos mesmos.
A história do lixo e o processo civilizatório encontram-se entrelaçados. A partir do momento que os seres humanos deixaram de ser nômades e começaram a se estabelecer em pontos fixos, foi quando passamos a conviver com os resíduos decorrentes de nossas atividades.
Devido a falta de higiene constantemente presente na formação dos antigos núcleos habitacionais, como é possível constatar analisando a história, grandes surtos de doenças ocorreram. A ''peste negra'', doença a qual acredito ser a de maior notoriedade histórica em decorrência da devastação causada, ocorreu no século XIV e segundo dados, acredita-se que dizimou cerca de 75 a 200 milhões de pessoas na região da Eurásia.

Devido a eventos como o da peste negra, ainda na época medieval, começou a emergir a hipótese de que os resíduos decorrentes de nossas atividades diárias poderiam estar afetando negativamente a sociedade tanto de forma física quanto psíquica. Este fato acabou por gerar medo na população. Juntando esta afirmação ao fato de que os encarregados da limpeza urbana na época medieval eram indivíduos marginalizados como prisioneiros de guerra, prostitutas, escravos, entre outros, fica mais fácil compreender o preconceito que permeia nossa sociedade até os dias atuais quanto a gestão do lixo.

ATENÇÃO! Expresso agora a concepção que talvez seja a mais importante de toda esta temática. Como já citado anteriormente, a palavra lixo carrega todo um teor histórico que representa algo desagradável, o qual queremos o mais distante possível de nosso campo de visão. Levando em conta esta afirmação, estudiosos do tema substituíram a palavra lixo por resíduo buscando alterar nossa visão acerca destes materiais.

Aí surge o questionamento. Como algo tão bobo como uma simples mudança de palavras, faria alguma diferença na forma como vemos estes materiais?
A resposta mais adequada para a pergunta é que esta singela alteração representa uma mudança de paradigma. A palavra resíduo busca trazer todo um novo sistema que transforma estes materiais descartados por nós em bens de mercado com valor econômico agregado.
Este novo sistema parte de 02 princípios:
O primeiro remete a geração de recursos financeiros decorrente da venda dos materiais recicláveis e também dos adubos provenientes do processo de compostagem pelo qual passam os resíduos orgânicos.
O segundo principio, parte da premissa de reduzir gastos em decorrência da redução de descarte de materiais, o que também aumenta a vida útil dos aterros sanitários.
Imagem extraída do site: http://www.tecnomarketconsult.co
Agora falando um pouco dos nossos deveres como cidadãos, precisamos separar os resíduos que geramos em nossas residências visando facilitar todo um sistema. Citarei posteriormente a forma de separação que considero a ideal para a maioria das cidades brasileiras considerando também exemplos de materiais a serem segregados.
COMPOSTÁVEIS: Restos alimentares (cascas de frutas, sobras das refeições), borra de café, entre outros similares.
RECICLÁVEIS: Todo material seco como por exemplo: vidro, plástico, papel, papelão, embalagens em geral. Observação: No caso de embalagens que apresentam restos alimentares como latas de milho, caixinhas de leite condensado, bandejas de peito de frango dentre outros, é aconselhável uma rápida lavagem com água e posteriormente incluí-las nesta categoria aqui descrita.
REJEITOS: São basicamente os resíduos de banheiro como por exemplo: absorventes, papel higiênico, fio dental e similares. Observação: Vidros de xampu assim como caixinhas de sabonete apesar de serem resíduos gerados no banheiro devem ser colocados juntamente com os recicláveis.
Imagem extraída do site: https://reciclacondominios.wordpress.com
Se acaso surgir perguntas do tipo, por que eu deveria fazer algo que a minha cidade não dá a mínima atenção? Mesmo que ainda não exista coleta seletiva em sua cidade ou no seu bairro, é bom que comecemos a realizar este tipo de ato, primeiro por estar fazendo algo importante que auxilia na conservação do meio ambiente, na manutenção da saúde pública e da limpeza urbana, e segundo pelo fato de incentivar os órgãos responsáveis a implementar tais soluções ambientais no município que tendem a ser muito positivas para a municipalidade tanto do ponto de vista econômico,social, ambiental e até mesmo organizacional. Que a leitura possa ter sido proveitosa, um grande a abraço!


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